O meu condomínio pode ter carregador para carro elétrico?

Veja os pontos que cada condomínio deve passar antes de instalar um ponto de carregamento de carro elétrico:

Por Redação CASA.com.br Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 15 out 2024, 13h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 11h41
O meu condomínio pode ter carregador para carro elétrico?
 (Michael Marais/Unsplash)
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Não é segredo para ninguém que o brasileiro é apaixonado por carros. Esse sentimento aliado ao apetite por economizar e pelos preços atrativos de muitos modelos de automóveis elétricos tem feito esse mercado avançar cada vez mais em nosso país.

Para ter uma ideia desse crescimento, de acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), de janeiro a junho de 2024, foram mais de 79 mil emplacamentos de carros elétricos – aumento de 146% em relação ao mesmo período do ano passado. E a previsão da instituição, é que neste ano o número de veículos elétricos vendidos no ano salte para mais de 150 mil. Há também a projeção de um estudo da McKinsey estimando que até 2040, o Brasil terá uma frota com 11 milhões de carros movidos a bateria elétrica.

Entretanto, essa perspectiva de progresso traz consigo um problema: a falta de estrutura do Brasil para atender esse público. A ausência de postos de carregamento e de uma infraestrutura adequada para os veículos elétricos nas cidades ainda cria resistência em potenciais compradores. Com isso, o segmento imobiliário tem tentado atender essa demanda que já vem se tornando cada vez mais comum nos condomínios – moradores que querem carregadores para esses tipos de veículos em sua vaga.

O meu condomínio pode ter carregador para carro elétrico?
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Na cidade de São Paulo, por exemplo, a Lei n° 16.642, sancionada em meados de 2021, já determina a obrigatoriedade da instalação de estações de recarga para veículos nas garagens de novos condomínios construídos no município.

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“A principal questão está na adaptação dos condomínios construídos antes dessa data, ou seja, a grande maioria dos lares condominiais, inclusive os de grande porte, não possui a infraestrutura necessária para carregar esses veículos”, é o que explica o diretor-geral da Plenno Arquitetura, Fábio Ramos.

Um levantamento do banco para condomínios CondoConta, ressalta que houve um aumento de mais de 35% na instalação de tomadas e obras em infraestrutura para suportar maior capacidade elétrica em condomínios de São Paulo no último ano, número esse que está acima da média nacional.

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São aproximadamente 100 milhões de brasileiros que moram ou trabalham em condomínios, por isso, a grande necessidade de investimentos tanto nos condomínios antigos, como em novos empreendimentos que estavam previstos com poucas ou até nenhuma tomada e infraestrutura para esse tipo de uso.

Um dos principais problemas é que muitos condomínios não tem equipe própria para avaliar a implantação de um projeto como este, conforme explica o especialista da Plenno Arquitetura. “Em um primeiro momento é comum o síndico ou outro representante do edifício achar que é só ‘puxar’ uma tomada para a garagem, no entanto, é necessário explicar que instalações desse tipo passam por algumas etapas”.

De acordo com Ramos essas fases são:

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Aprovação da instalação em assembleia de moradores

É quando os moradores decidem quem vai arcar com os custos da instalação, a modalidade da instalação (se é um ponto único – utilizado de modo compartilhado por quem tem esse tipo de veículo -, ou vários – um para cada condomínio que precisa) e a forma de cobrança da conta de luz ligada aos pontos de recarga, tendo em vista que essa energia será de uso particular e não deve ser rateada entre todos os condomínios.

Infraestrutura técnica

Não basta aprovar com os moradores a instalação dos carregadores, é necessário também avaliar a infraestrutura elétrica da edificação para saber se ele está apto a receber o projeto em relação à potência elétrica da rede, os modelos de carregadores mais indicados e os locais adequados para instalação. Essa avaliação deve ser realizada por profissional especializado que garantirá a segurança do projeto.

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NBR 17019 e Corpo de Bombeiros

Um dos mais importantes debates sobre a instalação de carregadores e a crescente demanda de carros elétricos são as questões de segurança e os riscos de incêndios. Por isso, é imprescindível pesquisar e se manter informado em relação à Norma Técnica Brasileira, nº 17019, que especifica os requisitos para a instalação elétrica fixa destinada a fornecer energia elétrica aos veículos elétricos e determina condições e regras para a questão.

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No entanto, a norma não abrange a avaliação de risco de explosão durante a carga da bateria. Portanto, é imprescindível a verificação com o órgão de Corpo de Bombeiros do estado na qual o condomínio está localizado.

“No estado de São Paulo, por exemplo, o Corpo de Bombeiros publicou em abril, uma minuta com imposições que devem ser adotadas em prédios e estabelecimentos que contam com os carregadores. Iniciando também uma consulta pública – que terminou no inicio de agosto – com o objetivo de aprimorar os protocolos de segurança e subsidiar a criação de normas mais eficazes para o setor”, explica Fábio.

Segundo documento do Corpo de Bombeiros de São Paulo, os edifícios não adaptados da forma correta podem provocar curtos-circuitos e fogo de “difícil extinção”; assim como a “alta dissipação de gases tóxicos”.

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De acordo com a ABVE, essa minuta dos bombeiros freou cerca de 400 projetos de instalação de pontos de recarga, e os estabelecimentos seguem na espera para definição das normas da corporação em São Paulo.

“Caso os projetos de implantação não seguirem as regras do órgão, os condomínios podem perder o alvará da instituição ou não conseguirem a renovação do documento”, finaliza o profissional da Plenno Arquitetura.

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